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Que resistência térmica (R) para o isolamento do sótão e da cobertura?

A resposta curta

Para o isolamento de uma cobertura ou sótão em Portugal, um bom alvo é R 3,0 m²K/W na zona de inverno I1, R 3,5 na I2 e R 4,0 na I3. É a resistência térmica do isolamento em si, medida em m²K/W (metros quadrados vezes kelvin, a dividir por watt). São valores confortáveis, um pouco acima do mínimo do REH (o regulamento de desempenho energético dos edifícios): zonas mais amenas precisam de menos, zonas mais frias precisam de mais.

Com lã mineral corrente (condutibilidade λ de 0,035 W/m·K), isso corresponde a cerca de 10,5 a 14 cm de espessura.

R recomendado por zona climática de inverno

Zona de invernoOnde é (típico)R recomendado (cobertura)Espessura aprox. (lã mineral λ 0,035)
I1Algarve, litoral alentejano, Lisboa e Setúbal litoral, faixa costeira mais quenteR 3,0 m²K/Waprox. 10,5 cm
I2Grande parte do interior a média altitude, Porto e Braga interior, Coimbra, ÉvoraR 3,5 m²K/Waprox. 12,5 cm
I3Terras altas e interior frio, Bragança, Guarda, Viseu, Serra da EstrelaR 4,0 m²K/Waprox. 14 cm

Não sabe em que zona está? O REH define a zona de inverno por concelho e por altitude, por isso o mesmo distrito pode ter zonas diferentes conforme o sítio. Estes valores são um alvo recomendado: o mínimo legal (que o REH exprime como um coeficiente de transmissão U máximo, não como um R) costuma ser mais baixo, logo a tabela acima é de propósito mais do que o exigido. Ultrapassar o mínimo nunca é problema, ficar aquém é que é.

Vem dos EUA com R-30, R-49 ou R-60?

Muita informação online usa a escala americana, que é outra unidade. Para passar a R métrico (m²K/W), divida o valor dos EUA por 5,678:

  • R-30 ≈ 5,3 m²K/W
  • R-49 ≈ 8,6 m²K/W
  • R-60 ≈ 10,6 m²K/W

Esses números tão altos correspondem a invernos americanos bem mais rigorosos (e a códigos que empilham isolamento a sério). Em Portugal, mesmo na zona mais fria, um R de 4,0 já é um bom nível: não precisa de copiar os R-60 do Minnesota.

Que espessura dá cada R

A resistência R é a espessura a dividir pela condutibilidade do material (o λ, em W/m·K). Quanto mais baixo o λ, mais fino fica para o mesmo R. Por isso o mesmo alvo pede espessuras muito diferentes:

Materialλ (W/m·K)R 3,0R 3,5R 4,0
Lã mineral (rocha/vidro)0,03510,5 cm12,3 cm14,0 cm
Lã insuflada (celulose/rocha)0,04012,0 cm14,0 cm16,0 cm
Poliestireno expandido (EPS)0,03610,8 cm12,6 cm14,4 cm
Poliestireno extrudido (XPS)0,03410,2 cm11,9 cm13,6 cm
Poliuretano projetado (PUR)0,0288,4 cm9,8 cm11,2 cm
Fibra de madeira0,04012,0 cm14,0 cm16,0 cm

Ou seja, um desvão na zona I3 que queira R 4,0 pede uns 14 cm de lã mineral ou 16 cm de lã insuflada, mais do que a maioria das pessoas imagina, e é por isso que tantos sótãos ficam a metade do nível recomendado.

Exemplo prático: reforçar um desvão na zona I2

Digamos que está no interior centro (zona I2) e o desvão tem 6 cm de lã mineral antiga:

  1. R atual: 0,06 m ÷ 0,035 = R 1,7 m²K/W.
  2. Alvo para a I2: R 3,5. Falta: 3,5 - 1,7 = R 1,8 a acrescentar.
  3. Reforce com lã insuflada (λ 0,040): 1,8 × 0,040 = 0,072 m, ou seja aprox. 7 cm de material novo soprado por cima do antigo.
  4. Espessura final: cerca de 6 + 7 = 13 cm no total.

As camadas somam-se: não retira o isolamento antigo, cobre-o (desde que esteja seco e sem bolor).

👉 A Calculadora de resistência térmica R faz isto num instante: escolha um material e uma espessura, indique que é cobertura e a sua zona, e ela mostra o R do conjunto e se atinge, quase atinge ou fica abaixo do nível recomendado. Também cobre paredes e pavimentos por zona.

A ter em conta

  • Vede o ar antes de isolar. O isolamento trava a passagem de calor mas não sela as fugas de ar: vede primeiro as juntas, as passagens de cabos e tubos e o alçapão do sótão, senão o ar quente e húmido contorna todo o R novo.
  • Não comprima a lã. Uma manta esmagada abaixo da espessura de projeto perde o ar parado que faz o isolamento, e passa a render bem menos do que o rótulo diz.
  • Mantenha a ventilação da cobertura. Coloque defletores junto ao beirado para que o isolamento solto não tape o caminho de ventilação.
  • Cuidado com os focos embutidos. Só as luminárias próprias para contacto com isolamento podem ficar cobertas, as antigas precisam de folga ou de substituição.
  • Meça a espessura assente, não a despejada. O isolamento solto assenta com o tempo: o R que conta é a espessura real de hoje vezes o desempenho do material.

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