Que espessura tem o isolamento R-30? Converta R, lambda e centímetros
A resposta curta
«R-30» é uma etiqueta dos EUA em unidades imperiais. Em Portugal usamos três grandezas: a resistência térmica R (m²K/W), o coeficiente U (W/m²K) e a condutibilidade térmica lambda (W/m.K) de cada material.
Convertido, o R-30 dos EUA vale um R de cerca de 5,3 m²K/W (divide-se o R americano por 5,678). Esse R corresponde a um coeficiente U de cerca de 0,19 W/m²K na camada de isolamento.
A espessura sai de uma conta só:
espessura (m) = R (m²K/W) × lambda (W/m.K)
Para um R de 5,3, a espessura depende só do lambda do material:
- lambda 0,032 (lã de vidro ou XPS de alto desempenho) - aprox. 17,0 cm
- lambda 0,035 (lã de rocha comum) - aprox. 18,5 cm
- lambda 0,040 (EPS ou celulose insuflada) - aprox. 21,2 cm
Quanto mais baixo o lambda (melhor isolante), menos espessura precisa para o mesmo R.
O que é o R-30 em unidades europeias
O R-value americano e o R europeu medem a mesma coisa (resistência à passagem do calor), mas em unidades diferentes. Para passar de um ao outro, divida o R americano por 5,678:
- R-30 ÷ 5,678 = R 5,3 m²K/W
O coeficiente U é o inverso do R: U = 1 ÷ R. Para a camada de isolamento, 1 ÷ 5,3 = 0,19 W/m²K. O U de uma parede ou cobertura completa é ligeiramente diferente, porque soma as resistências superficiais e as outras camadas, mas para dimensionar o isolamento a conta 1 ÷ R chega e sobra.
O lambda (condutibilidade térmica, às vezes escrito como valor λ) vem na ficha técnica, na marcação CE e na declaração de desempenho de cada produto. É o número que manda: com o R-alvo fixo, o lambda decide a espessura.
Espessura para R 5,3 por material
Valores de planeamento (lambda típico declarado; confirme sempre a ficha técnica do produto, que varia com a densidade e a marca):
| Material | Lambda típico W/(m.K) | Espessura para R 5,3 |
|---|---|---|
| PUR/PIR projetado (célula fechada) | 0,022–0,028 | aprox. 12–15 cm |
| XPS (poliestireno extrudido) | 0,033–0,036 | aprox. 17,5–19 cm |
| Lã de vidro | 0,032–0,040 | aprox. 17–21 cm |
| EPS (poliestireno expandido) | 0,036–0,038 | aprox. 19–20 cm |
| Lã de rocha | 0,035–0,040 | aprox. 18,5–21 cm |
| Celulose insuflada | 0,038–0,040 | aprox. 20–21 cm |
| Cortiça expandida (ICB) | 0,040 | aprox. 21 cm |
Duas leituras da tabela: as espumas de célula fechada (PUR/PIR) chegam ao R 5,3 com menos de metade da espessura da lã mineral, por isso aparecem onde o espaço é escasso; a lã mineral e o EPS são mais espessos, mas costumam sair mais em conta por metro quadrado.
Exemplo prático - R 5,3 numa cobertura
A conta funciona nos dois sentidos. Tem uma espessura, quer saber o R? R = espessura ÷ lambda.
Com lã de rocha de lambda 0,035:
- 18 cm: 0,18 ÷ 0,035 = R 5,14 - quase lá.
- 19 cm: 0,19 ÷ 0,035 = R 5,43 - passa o 5,3.
- 20 cm: 0,20 ÷ 0,035 = R 5,71 - passa com folga.
E as camadas somam-se: dois materiais em série somam simplesmente os seus R. Uma camada existente de 10 cm de EPS (lambda 0,037, R 2,70) coberta com 10 cm de lã de rocha (lambda 0,035, R 2,86) dá 2,70 + 2,86 = R 5,56, acima de 5,3 sem mexer no que já lá está.
👉 A Calculadora de R (valor R) faz isto na hora: escolha o material e introduza a espessura, e devolve o R do conjunto, comparando-o com o R recomendado para o seu sótão, parede ou pavimento por zona climática.
Será o R-30 o objetivo certo em Portugal?
O R-30 (R 5,3, U ≈ 0,19) é um alvo generoso para o clima português, sobretudo em coberturas. O que a regulamentação térmica de habitação (REH) fixa não é um R, mas valores de referência para o coeficiente U por zona climática de inverno (I1 mais amena, I3 mais fria). Como referência aproximada:
| Elemento | Zona I1 | Zona I2 | Zona I3 |
|---|---|---|---|
| Parede exterior | aprox. 0,50 | aprox. 0,40 | aprox. 0,35 |
| Cobertura | aprox. 0,40 | aprox. 0,35 | aprox. 0,30 |
(Valores de U em W/m²K, de referência. Confirme a versão em vigor do REH e a zona do seu concelho.)
Um isolamento de R 5,3 dá um U de cerca de 0,19 W/m²K, abaixo de todos estes valores, ou seja, isola melhor do que o exigido. Traduzindo: para paredes muitas vezes basta menos (um R 3 a 4, uns 12 a 15 cm de lã mineral), mas numa cobertura o R 5,3 é uma boa meta, e nas zonas mais frias do interior é bem-vindo.
A ter em conta
- Comprimir o isolamento destrói o R. Enfiar 20 cm de lã numa caixa de ar de 15 cm não dá o R de 20 cm: quem isola é o ar preso, e a compressão expulsa-o. Ajuste a espessura ao espaço disponível.
- O lambda é um valor declarado. Cada fabricante tem a sua densidade, por isso confirme o lambda na marcação CE e na declaração de desempenho. Nas espumas, use o lambda envelhecido, não o de fábrica.
- O material insuflado assenta. O celulose e a lã insuflada aplicam-se acima da altura final para assentarem na espessura pretendida, siga a tabela de cobertura do saco, não a altura acabada de soprar.
- A estanquidade ao ar vale tanto como o R. As frinchas e as pontes térmicas deixam fugir o calor por muita espessura que ponha, sele primeiro, isole depois. E confirme sempre a regulamentação em vigor.
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